O que você espera pra 2015?

Em 2014 eu esperava ser feliz. Então, sabendo que o mundo não se move se você apenas esperar, eu vivi.

Fui à luta, fiz uma guerra, briguei mais do que precisava, mas na quantidade que deveria.

Fiz amigos, perdi contatos. Fui ao escritório, à faria lima-limão, à Guarulhos, Toronto, Montreal, Ottawa, Quebec, Campinas e Guaxupé. Que ano!

Estive no topo, estive embaixo e do lado de fora das minhas próprias escolhas.

Entrei num avião pra casa e descobri que não basta ter paredes inteiras para se chamar um lugar de lar.

Voltei pra longe pra construir do zero e descobri que se precisa de paredes inteiras para ter um local ao qual chamar de lar.

Vi neve. Muita neve. Tempestade de neve que está só começando a cair. Mas também vivi um verão inteiro.

Desejei a mudança, fiz a mudança, fui a mudança, mas ao contrário do que Gandhi previa, não vi muito resultado no mundo.

Sai do país, vivi meu país. Quase metade do meu ano, eu fui um pouco canadense e mais brasileira que nunca.

Aprendi na pele que saudade só se pronuncia em português e que é muito engraçado ser Henatta por aqui.

Fiz amigos com nomes que só carregam uma vogal. Descobri que cachorros gringos não têm capacidade de julgamento como os nossos vira-latas. Eles confiam em todo mundo.

Deve ter algo na alma latina que nos faz questionar porque o copo está cheio demais.

Aprendi a tomar café com creme e que carregar uma caneca pendurada na mochila é super cool, se você chamar de mug. Sair de pijama na rua é se passar por nativo  e reclamar o tempo todo (do tempo, do trânsito, do metrô, dos impostos)… é completamente North America. Confesso que dias de caos em Toronto, me fazem sentir em casa. Oh São Paulo!!! Terra da garoa e da padoca que nos prepara para a terra da chuva- flurry- chuva- sol que jamais terá um metrô tão caótico quanto o seu.

Aprendi que vivi 30 e alguns (não sejam indiscretos) anos tentando dosar minha porção adulta para amadurecer e adolescer na marra com uma mudança dos trópicos para o polo.

Descobri o que é escolher uma faixa e seguir nela, com tempo, foco e vontade de não perder um segundo de folha caindo na visão de longo alcance que faz a terra encostar-se ao céu.

Nunca foi tão populoso aqui dentro. Na bagagem, no closet, na alma.

Nunca foi tão bom achar fubá no supermercado e comprar um travesseiro novo no Wallmart, onde você encontra um carro, um unicórnio e um desfibrilador se preciso for. (parte patrocinada do post por Samantha Zanco rs)

Descobri que “quem acredita sempre alcança”, “se você construir ele virá”, “Deus ajuda quem cedo madruga” e “não há lugar como o nosso lar”.

Descobri que a coisa mais idiota e mais corajosa que alguém pode fazer é procurar o seu lugar no mundo. E a coisa mais indecente que pode acontecer no caminho é você mudar a pergunta para “que lugar o mundo inteiro ocupa em você.”

O que eu espero para 2015? Espero ser. Não a mudança, mas o mundo! E quero que o ano que se aproxima encontre a casa limpa quando chegar. Então melhor começar, não agora porque já é quase Natal, mas no dia perfeito para começar a ser alguém melhor; ontem.

Feliz 2015! I wish all your dreams come true.

mafalda-thumb

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