A vida dos outros atrapalha a sua vida

Deus salve o whatsapp, e instagram, facebook, twitter e afins…

E por quê? Porque é divertido contar nossa vida lá e, ainda melhor, inventar uma vida virtual muito mais legal do que a gente vive na realidade.

Mas as redes sociais não foram feitas pra isso. Ah não!!! Elas tem um sentido muito mais nobre que é aproximar velhos amigos e manter contato stalkear as pessoas.

E por falar em stalker, acabo de achar por aqui um texto antigo que escrevi sobre o filme. “A agenda secreta do meu namorado”. O título, que nada tem a ver com o original “Little Black Book” é ainda mais legal em português.

A história é bem divertida, destas meio Sessão da Tarde (na época em que a Sessão da Tarde era interessante. Aliás, da época em que tínhamos Sessão da Tarde) e fala sobre uma produtora de TV que trabalha em um programa sensacionalista, desses que passam a tarde na TV.

E neste cenário de reality show/circo de mau gosto/ falta de amor próprio pública, ela se vê às voltas com a agenda do namorado, que não é nada secreta. Na verdade é um palm com telefones, fotos e uma série de informações perturbadoras para uma namorada com o mínimo de criatividade e ausência momentânea de bom senso. Alguém conhece alguma mulher que tenha bom senso 100% do tempo? Eu não sou uma delas e temo que minhas amigas também não sejam.

Enfim, nessa perturbação profunda “o que será que ele esconde de mim?”  é óbvio que ela mexe e remexe na agenda, liga para as ex namoradas e até se encontra com elas.

E, como curiosidade de mulher só acaba quando a suspeita se confirma, quanto mais ela cavava e encontrava cocô… mais ela cavava em busca de petróleo.

Enfim, ela conhece 3 das ex namoradas do seu boy magia. Todas diferentes entre si e com nada em comum com ela. (Quem é que nunca esteve nessa situação?).

E isso me fez pensar em duas teorias estranhas:  homens não têm critério quando o assunto é relacionamento e uma mulher apaixonada é capaz de perder  a dignidade procurando vestígios de coisas que vão fazê-la muito  infeliz.

“Se a ex tinha peitão, por que diabos ele se apaixonou por mim, que mal consigo encher o sutiã? “ “A ex número 2 fazia yoga, odeio que ela seja tão flexível” “A fulaninha levava a mãe dele pra fazer compras. What a bitch!”

Não importa qual a dúvida, pertinente ou não em relação ao passado e/ou comportamento do parceiro.  A resposta para as mais diversas perguntas NUNCA será satisfatória.

Talvez seja no cinema, (em filmes antigos) onde a mocinha descobre que o galã é o amor da sua vida e vivem felizes para sempre.  Mas não em tempos modernos, não para verdadeiros stalkers e definitivamente não na era da internet.

E nesse filme água com açúcar de 2004, a heroína romântica paga o preço da sua curiosidade até os últimos centavos. Assim como na vida real, se estrepa todinha numa situação ridícula de exposição da vida alheia, insegurança e a dor de lidar com um amor que simplesmente wasn’t meant to be.

E é isso que torna este filme com título antiquado (hoje em dia seria O Whatsapp Secreto do meu Namorado) digno de tomar conta de uma hora e meia do seu espectador. Não existe happy ending (nem colher); pelo menos não sem sofrimento, vergonha e cachaça.

Então por que diabos Stalkear? Porque a gente tem mania de olhar a grama do vizinho que SEMPRE tem coisas mais interessantes/esquisitas/feias ou genias que a nossa.

E, por mais interessante que isso seja, é válido lembrar que cada um é responsável pela própria pinga e tombos que leva. E que, se o seu relacionamento tira sua paz de espírito, grandes chances existem de não ser o relacionamento certo pra você. Get a Life!

Mas é claro que o filme de certa forma faz tudo terminar bem. E de uma forma ou de outra a vida faz isso também. E o que ambos têm em comum é a inquietação do faça diferente na próxima vez.

Pode não existir um final feliz para cada causo da vida esperando por nós a cada esquina. Mas existe outra chance e uma garrafa de tequila a espreita, só por garantia, caso as coisas não saiam como o esperado mais uma vez.

Afinal, esta é a vida real, aquela que a gente lembra que existe quando cai a internet. E,  em 90% dos casos, vai ser necessário fazer emendas no roteiro.

No final, pouco importa se sua história será um drama, comédia ou uma aventura radical. Com a trilha sonora certa e você mesmo como personagem principal, o resto é só figuração.

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