2015, o ano em que meus pés sairam de férias

As pessoas que me conhecem sabem (um pouco, ou quase tudo) das mudanças que aconteceram na minha vida no último ano.

Pra você que não me conhece, vou fazer um resumo.

Nos últimos 365 dias eu…

Sai do Brasil, vim pro Canadá, fiquei feliz, vi neve, fiquei congelado, fiquei infeliz, emagreci, engordei, emagreci de novo, virei psicopata da balança, estudei inglês, comecei a namorar um canadense, vi que não sabia nada de inglês, vi que sabia, escrevi para blogs, comecei a dar consultoria, fiquei pobre, fiz dinheiro, gastei. Fui ao Brasil, renasci, voltei, deprimi, fiquei feliz de novo, conheci o vizinho JJ, o James Bond, o aquecedor quebrou, voltou a funcionar, a internet caiu, gritei. Liguei pros amigos legais daqui, não tive tempo de vê-los, voltei a escrever, o computador pifou, fui dormir. Achei que podia postar de novo num blog que ninguém lê, to aqui.

No último ano eu vi minha vida inteira ficar no banco de reservas. Tudo que eu sabia tão bem e de cor, de repente não me servia para mais nada e, ao mesmo tempo, era tudo que eu tinha.

Resolvi sair do país tropical, bonito por natureza, para estudar num lugar frio pra cacete que eu tinha visitado UMA VEZ.

Ah.. quanto glamour inexistente nessa decisão.

Fiquei longe da minha família no Natal, no Ano Novo, na Páscoa, na febre por causa da gripe, nos dias de fúria na neve e nas noites que chorei de saudade. Sobrevivi.

Foi fácil? Mas é claro que não. Alguém, por favor, publica ai nos comentários o que é fácil nessa vida.

Valeu a pena? Hoje vale. E foi assim que aprendi a viver por aqui.

São 18 anos de Guaxupé, 16 de São Paulo e 1 de Toronto que formam esses 35 anos de Renata.

TRINTAECINCOANOS… e fiz tanta coisa que até parece que não fiz nada.

E não tenho nada pra mostrar aqui mesmo. Porque exceto por meio de tomografia computadorizada não é possível mostrar o que tem dentro da minha cabeça.

Hoje não tenho apartamento, casa, carro, móveis, nada além de 2 malas cheias de roupas e sonhos.

Tudo que eu vi e vivi por ai, está registrado aqui, dentro da minha cabeça.

E são tantas informações que as vezes me confundo como é ser eu mesmo e não uma revista de viagem, turismo, estórias fabulosas da Vara da Família, culinária, moda, contracultura e casos intrigantes da psicanálise.

Viver 2015 foi o maior tutorial de Do It Yourself (faça você mesmo) que eu já vi na vida.

Foi ver o Brasil se partir ao meio TODOS OS DIAS pelos amigos do facebook. Foi fabricar cabelos brancos com agilidade e maestria. Foi aprender a fazer depilação em casa para economizar no dólar. Foi aprender o sentido de trabalhar no que for preciso, e em coisas que se odeia,  para pagar as contas.

Bem que me disseram que ser adulto era uma armadilha. E nessa idade de 35, seria muito válido se eu já soubesse disso.

Mas não sabia, não dei a mínima pra essa informação porque, assim como Clarice (a Lispector, espero que seja ela), eu acordei todas as manhãs nos últimos 365 dias, coloquei meus sonhos na cama e vesti a roupa de viver.

E não importa o que dizem sobre crescer, eu ainda posso roubar brigadeiro na mesa da festa, entrar escondido na piscina de bolinha, dançar no meio da rua como se ninguém tivesse olhando (taí algo que eu faço SEMPRE) e ser ridícula todas as vezes que tenho uma oportunidade.

Porque ser ridículo pra si mesmo é a maior expressão de liberdade e ninguém se muda pra cá, perto do Papai Noel se não for um pouco livre.

Livre de medo de ser forte, medo de ser fraco, medo de dar certo e também de não dar.

Medo de não ser aceito ou de ser aceito pelo grupo de esquisitos que te faz pensar.

Pensar na vida, essa coisa que passou por mim como quem corre a São Silvestre, enquanto eu, daqui do alto da minha criancice de 35 anos, cadenciadamente desfilava por ela.

 

2014-11-14 12.49.01

1 Comentário em “2015, o ano em que meus pés sairam de férias”

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